quarta-feira, 9 de junho de 2021

Lavadeiras


LAVADEIRAS

JOTA NIL
(Tácito Silveira da Mota)

Entre barrancos altos, corre o rio.
E numa enseada bate o sol em cheio,
onde refulgem résteas no erradio
das águas lamacentas. E no meio

da margem uma tábua. O mulherio
trabalha; bate a roupa e, num boleio
de corpo, agacha-se no correntio
para lavar depressa, num receio

de que talvez o tempo mude... Agora,
estendem no varal as peças limpas,
pingando, para enfim, em chegada a hora,

recolherem enxutas, e dobradas
formarem as enormes trouxas claras,
que levam à cabeça, equilibradas...

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