quarta-feira, 2 de junho de 2021

Depois da seca


DEPOIS DA SECA

JOTA NIL
(Tácito Silveira da Mota)

Um azul desbotado se descerra
sobre a paisagem quieta, de mormaço
amodorrante. O sol bafeja a terra
com raios que parecem chispas de aço!
Uma árvore despida de folhagem,
numa interrogação ao céu, levanta
os galhos nus! Nem uma leve aragem
no silêncio terrível que se adianta
na estatez* sonolenta da atmosfera
esbraseante. Porém, por um milagre
talvez, variou o tempo e se fizera
negro o céu. E ventou. Uma trovoada
forte anunciou a chuva que caiu
em beijos sobre a terra requeimada!

* estatez: neologismo; substantivo feminino; qualidade daquilo que é estático, imóvel como estátua; parado.

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